Dois Coelhos Comunicação e Cultura

Escala Cultural chega ao fim e traz Cia do Tijolo

Início Publicações
Esta publicação pertence ao projeto ESCALA CULTURAL

Escala Cultural chega ao fim e traz Cia do Tijolo

A última apresentação do projeto Escala Cultural no ano de 2018 será no próximo dia 14 de dezembro, integrada à programação do Convite ao Teatro. Para o encerramento foi programado o grandioso espetáculo "O avesso do claustro", da Cia do Tijolo (São Paulo/SP). A apresentação será no Teatro Barracão às 20h30 com entrada gratuita e tem duração de 150 minutos. 

SINOPSE RESUMIDA: Missa profana e poema, celebração da utopia e da canção.  Dom Helder Câmara, considerado por muitos o Bispo Vermelho, ressurge para trazer novamente para o meio da ágora sua presença inspiradora, suas ideias revolucionárias, suas históricas lutas de resistência política durante o regime militar e seu engajamento na construção do ideário das comunidades eclesiais de base. Inspirado pela lira do bispo poeta, O Avesso do Claustro realiza em cena a construção de uma vigília coletiva para os dias de hoje.

SInose: Missa profana e poema, celebração da utopia e da canção. O Avesso do Claustro deseja trazer novamente para o meio da ágora o legado de Dom Helder Câmara, arcebispo de Recife e Olinda, personagem fundamental nas históricas lutas de resistência política durante o regime militar e na construção do ideário da igreja progressista engajada nos movimentos sociais. O espetáculo se constrói a partir da trajetória de três personagens cheios de questionamentos e perplexidades diante de nosso momento histórico atual. Três figuras que perambulam pelo centro de três grandes cidades brasileiras: um pesquisador em visita ao Recife, uma moradora que caminha pelas ruas da cidade de São Paulo e uma cozinheira que vive aos pés do Cristo Redentor se encontram para ouvir de novo a voz do Bispo Vermelho, ouvir seus poemas e histórias, dialogar com ele, concordar com ele e por vezes questioná-lo. Diante desse encontro inusitado no espaço e no tempo, só possível no teatro, atores, personagens, palco e plateia buscam reaprender a imaginar novos mundos possíveis em tempos obscuros

 

RELEASE

A Cia do Tijolo, em seu novo espetáculo O Avesso do Claustro, convida a um encontro com uma das figuras mais importantes da história brasileira do século 20: Dom Helder Câmara, o bispo vermelho. A biografia do grande homem já seria suficiente para justificar a escolha do tema do espetáculo. Dom Helder atravessa nossa história e é personagem decisivo na construção do que poderíamos chamar de um pensamento de esquerda na América Latina. De sua passagem pelo Integralismo, “um pecado da juventude”, como ele define esse período de sua vida, até sua “conversão” em direção ao socialismo, Helder esteve presente nos mais importantes momentos da história mundial: um dos brasileiros mais conhecidos no exterior durante os anos 70 e 80, persona non grata durante o regime militar, indicado 3 vezes ao Nobel da Paz, primeiro brasileiro a denunciar no exterior os crimes de tortura ocorridos nos porões da ditadura. Foi um dos mais ferrenhos aliados de presos políticos, colaborador dos sem terra, dos sem teto e dos moradores das favelas do Rio de Janeiro e do Recife. Incentivador das comunidades eclesiais de base e daquilo que hoje chamamos políticas de empoderamento. Defensor de uma igreja progressista, chegou a ser conhecido como conspirador durante o Concílio Vaticano II por sua capacidade estratégica e midiática. Dom Helder acreditou numa forma de luta política em que o povo, ao articular suas próprias demandas, se torna sujeito de sua própria história.

A Cia do Tijolo faz parte da Cooperativa Paulista de Teatro e tem a oportunidade de trazer de volta essa voz libertária graças ao Prêmio Funarte Myriam Muniz 2014 e estreia acolhida pelo SESC Pompéia em junho de 2016. Fundada há 8 anos, com 4 espetáculos em seu repertório, já lidou com outras figuras extremamente importantes na história da cultura: Patativa do Assaré, Paulo Freire, Mariana Pineda, Garcia Lorca, Heleny Guariba, Yara Iavelberg, Nise da Silveira, e tantos outros e outras. Homens e mulheres de cultura, mulheres e homens de luta, seres humanos que acreditaram na possibilidade de um mundo mais justo em que fossem preparadas as condições ideias para o amor.

O ator Dinho Lima Flor, que divide a direção com Rodrigo Mercadante, dá vida ao bispo poeta. Dom Helder entra em cena para dialogar com esses tempos turbulentos em que vivemos. Segundo os artistas criadores do espetáculo, “invocamos o santo rebelde como companheiro de trincheira em tempos turbulentos e convidamos nossos companheiros, com Deus ou sem Deus, para se juntarem a nós nesse desafio cotidiano de reinventar formas de vida que anseiem o impossível”.

CIA DO TIJOLO

A Cia do Tijolo é fruto de muitos encontros. Encontro de artistas que em 2008 decidiram realizar um mergulho na vida e na obra de Patativa do Assaré. Desse primeiro impulso surgiram o Show Cante Lá que eu Canto Cá e o espetáculo Concerto de Ispinho e Fulô. Depois vieram outros encontros com outros pensadores e com outros artistas. Veio Garcia Lorca que inspirou nossa Cantata para um Bastidor de Utopias e Paulo Freire que serviu de norte para a criação de Ledores no Breu. São oito anos de existência buscando caminhos nos quais política, poesia e música sejam novamente capazes de construir experiências alternativas ao discurso dominante.

 

FICHA TÉCNICA

Direção: Dinho Lima Flor e Rodrigo Mercadante.

Direção Musical: William Guedes.

Dramaturgia: Cia do Tijolo.

Orientação teórica: Frei Betto.

Atores: Lilian de Lima, Karen Menatti, Dinho Lima Flor, Rodrigo Mercadante e Flávio Barollo.

Músicos: Maurício Damasceno,William Guedes, Clara Kok Martins, Eva Figueiredo e Leandro Goulart.

Figurinista: Silvana Marcondes.

Concepção e Construção de Cenário: Cia do Tijolo e Silvana Marcondes.

Assistentes e aderecistas: Alexandra Deitos e Isa Santos

Rede e bonecos de pano: Silvana Gorab

Bonecões: André Mello e Cleydson Catarina

Cenotécnica: Julio Dojcsar e Majó Sesan

Costureira: Atelier Judite de Lima e Cecília Santos

Desenho de luz: Aline Santini

Operadora de luz: Laiza Menegassi

Assistente de luz: Pati Morim

Operação de som: Emiliano Brescacin

Orientação Cênica: Joana Levi e Fabiana Vasconcelos Barbosa

Orientação Vocal:Fernanda Maia   

Composição de trilha sonora original: Caique Botkay e Jonathan Silva

Produção executiva: Cris Raséc

Assistente de produção: Lucas Vedovoto

Designer gráfico: Fábio Viana

Fotos: Alécio Cezar

Comentários